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Morgana


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    E então chegou aquela noite — aquela em que assisti a três filmes sobre grandes amores em apenas três horas, devorei toda a pipoca e chorei assistindo a um comercial de ração para gatos. Foi nesse momento que percebi: chega! Está na hora de tomar as rédeas do meu destino. Se o amor não vem até mim, eu vou atrás dele. Com um plano bem traçado. Com timer, anotações, Google Agenda e, quem sabe, uma pequena crise de ansiedade a cada três dias. Declarei guerra à solidão. E, como a prática mostrou, nessa guerra as primeiras baixas foram os meus nervos, a minha carteira... e a minha dignidade.

    Concluído

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    Se este for o meu último amanhecer, que ele se derrame em ouro sobre a minha estepe natal. Que o vento traga o aroma de absinto e a canção distante das cotovias, que as trombetas chamem não para a morte, mas para a honra, e que os meus irmãos de armas me recordem com o fogo da fogueira e uma canção cossaca. Vivi de modo a não deixar espaço para a servidão na minha vida. Conduzi os cossacos por caminhos que o inimigo julgava intransponíveis; com astúcia, quebrei sua força, salvei aqueles que o mundo já havia descartado e bebi um copo com o inimigo para desvendar seus segredos. Amei… sim, mesmo entre o estrondo dos canhões, meu coração guardava a sua voz. Mas minha noiva foi a liberdade — e por ela estou aqui hoje, de frente para a bala. Quando o disparo ecoar, não cairei. Uma canção me erguerá, e seguirei pela estepe, onde, sob o céu da Ucrânia livre, os cavalos batem os cascos e as espadas cantam como cordas vibrantes do destino.

    Concluído